
Esta noite eu viajei pra dentro de mim e vi muito além da escuridão.
Encontrei uma série de sentimentos empoeirados, esquecidos, aniquilados , adormecidos.
Conversei horas a fio com minhas percepções, e descobri muito do que deveria ter sido em consequência do que eu vivi e senti..
Em meio à penumbra, revelaram-se estruturas por mim projetadas e construídas. Sentimentos formados, mas nunca aflorados.
Amores vividos, amores abortados, sentimentos enclausurados.
Dores e tristezas que eu me permiti.
Acariciei minhas ruínas e encontrei muito do que quero que venha.
No silêncio, descobri que os sentimentos dormem, não morrem.
Acompanham minha existência.
São a dúvida ferrenha do que poderia ter ou não virado um grito.
O passado ressurge do nada.
Procura revelar-se, mas rola como um gelo, de meu coração, de meus sentimentos. Desliza como neve que escorrega da montanha em avalanche.
Torna-se uma escuridão gelada, com avidez me anestesio, congelo o próprio coração.
Queria que o passado desaparecesse, que esse breu gelado de minha alma acabasse em uma explosão, sem deixar vestígios em minha mente.
E depois deste apocalipse, raios de sol perdidos refletissem meus cacos.
Para que assim eu pudesse começar a reconstrução de mim.
Quando estiver em cacos, meus estilhaçados transformam-se em experiências, hoje retratadas em um aborto.
Aborto de sentimentos, muito bem gravados dentro de mim.
E abortos sempre causam cicatrizes e dolorosos muito dolorosos traumas.
"Eu limpei minha vida, te tirei do meu corpo Te tirei das entranhas Fiz um tipo de aborto E por fim nosso caso acabou Está morto" Ivan Lins e Vitor Martins
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