Hoje sou a encarnação do silêncio...
Sei a cor do silêncio das palavras
Que bailam nos minutos de cada dia
Sei o segredo que é navegar cheia de medo
Em trilhas e caminhos de ausências
Sei o sabor de braços esquecidos
No abraçar de tormentos vividos
E a voz do vento trazendo novos silêncios...
Por isso abandono em minhas mãos algumas palavras
rasgo-as em pedaços dentro de mim...
Desejo-as em fogo
E arremesso suas cinzas para longe,
Onde mora o esquecimento
Mas, germinam a cada pensamento meu...
Nascem de mim e em mim...
Crescem aqui dentro
E deitam-se em meu peito...
Como se fossem gotas de sereno e orvalho
Ou talvez somente lágrimas soltas ao vento
mas cheias de vontade de quebrar os silêncios
Encolho-me... Rejeito-as...
Elas não me respeitam...
Então, não resisto...
E rasgo de noite o espaço
Da escuridão que envolve minha alma
dispo todas as sombras que me afagam
Limpo dos meus lábios os amargos
Os sabores e os temores
Desarmo-me dos vazios que me abraçam
Elas crescem então, soltas... livres
ganham vida... dão flores...frutos
desamarram-me os silêncios com que me vesti de noite
e falam-me de ti... E contam-me do teu carinho por mim
São palavras apenas! Mas são minhas...
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