Lágrimas

 

Venho da imaginação de teus abraços

Mas não sei pra onde vou

Nem mesmo sei quem sou

Sou apenas o pranto que sai de mim

Queria braços

Sinto apenas a água louca

Me levando numa correnteza macia

Nem sei ao menos onde vou chegar

Não tinha consciência das

Limitações do infinito que criei

Ao ter mergulhado no seu olhar

Clandestinamente

Deixo agora a dor escorrer

A sinto salgada

Em meus lábios

Mas a deixo escorrer até meu peito

Então acordo entorpecida

Em meu peito apertado

Só há marcas e mágoas

A me consumir neste inferno

Que é paraíso

Estou cansada

Minha mente desvairada

Derrepente me ocorre:

O encontro de dois olhares

O buscar de duas mãos

O som de um choro sofrido

O êxtase e o lamento

O confessar de uma verdade

Me neguei a ver o caos

Escondi o desamor, o ódio

Iluminei teu olhar sim meu amor !!!

Quando tiraste lentamente as minhas vestes

Consciente, inconsciente real ou irreal

Nunca imaginei, nem sonhei

E nem sequer suspeitei

Que irias embora num dia como este

Cinza, sem luz e sem nome

Quedei-me na dor

Ao saber que não haverá amanhã

Na intranquila quietude dos que estão sós

No pranto

No silêncio

Dos que vão

Sem ao menos chegar.

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O que é isto?