Hoje estou me sinto uma tela em branco, vazia, zerada, pronta para receber emoções (não sei as quero), como se fosse uma aquarela. Os dias passam muito vagarosamente e, dentro de mim, conto cada segundo, como se estivesse a narrando uma fábula. A garoa fina insiste em pintar tristezas e cinza em meu olhar, nessas ocasiões o tempo se arrasta. “TEMPO”, poderoso que rege a vida e a morte. Existem horas em que discordo dele, e fico até magoada e em outras deito minha cabeça em seu colo cheia de indagações, ele aplaca minhas dores, e sinto o seu conforto, me faz esquecer amores e por vezes renova minhas esperanças. Me sinto menina, uma libertina, uma dama, uma sedutora, me sinto tudo e nada. Nada que é tão amplo, tão cheio de significados e interpretações. Assim como eu, apenas, reticências e interrogações.

 

 

 

Tunai / Sérgio Natureza

Interpretada por: Elis Regina.

 

As aparências enganam aos que odeiam e aos que amam

Porque o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões

Os corações pegam fogo e depois não há nada que os apague

Se a combustão os persegue, as labaredas e as brasas são

O alimento, o veneno, o pão, o vinho seco, a recordação

Dos tempos idos de comunhão, sonhos vividos de conviver

 

As aparências enganam aos que odeiam e aos que amam

Porque o amor e o ódio se irmanam na geleira das paixões

Os corações viram gelo e depois não há nada que os degele

Se a neve cobrindo a pele vai esfriando por dentro o ser

Não há mais forma de se aquecer, não há mais tempo de se esquentar

Não há mais nada prá se fazer senão chorar sob o cobertor

 

As aparências enganam aos que gelam e aos que inflamam

Porque o fogo e o gelo se irmanam no outono das paixões

Os corações cortam lenha e depois se preparam para outro inverno

Mas o verão que os unira ainda vive, transpira ali

Nos corpos juntos, na lareira, na reticente primavera

No insistente perfume de alguma coisa chamada amor

 

 

 

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